Razão, emoção e motivação


Imagine que você está num restaurante escolhendo o que vai comer no cardápio e de repente, magicamente, você perde todos seus sentimentos e se torna uma pessoa 100% racional. Você se torna um ser incapaz de ter medo, ficar triste ou feliz, sofrer ou sentir prazer. Você ainda tem seus sentidos, mas mesmo que você coma e sinta um gosto bom, ele não vai mais te agradar, não vai ser mais “bom” na sua concepção. Aliás, nada vai ser bom na sua concepção, já que nada te dá prazer. Se algo tocá-lo, você percebe, mas não há sentimento nem de prazer nem de sofrimento. Mesmo que você se machuque e sinta o que costumava chamar de dor, aquilo não vai mais te incomodar.

Nessas condições, o que você acha que faria?

Demorei um pouco para ter um esboço de resposta a esse questionamento. Na verdade não tenho uma até agora, só parcialmente. No início eu pensei: “Eu ia ficar olhando pra frente eternamente, sem estímulo para fazer nada, até que me levariam a um hospital, me colocariam no soro, mas nada disso ia me incomodar e eu continuaria apático até morrer”.

Porém, ouvindo outras opiniões eu passei a achar também plausível a suposição de que eu não iria tomar atitudes conscientes. Embora ainda tenda a achar que não faria nada absolutamente (o que é muito vago), atitudes conscientes eu realmente não acho que iria tomar. Afinal, o que motiva uma pessoa a fazer alguma coisa é sempre uma emoção, por mais distante que a satisfação desse sentimento esteja da atitude em si. E quando dizem que “as vezes escolhemos racionalmente a melhor opção mesmo estando com vontade de fazer outra coisa”, na verdade é só uma questão de preferência. Quando você estuda ao invés de jogar video-game por exemplo, você só faz isso porque quer passar de ano, quer ter melhores oportunidades de trabalho no futuro ou então por autoridade, para evitar punição, etc. Todas essas opções visam saciar um desejo (conforto, riqueza, aceitação social, etc.), que são mais fortes que a vontade de jogar video-game, que pode ser prazeroso momentaneamente, mas que pode trazer conseqüências negativas a longo prazo se você deixar de cumprir suas tarefas. Ou seja, a razão é simplesmente uma ferramenta usada alcançar objetivos totalmente emocionais.



As atitudes inconscientes eu acho mais difíceis de avaliar e ainda tenho dúvidas. Será que essa pessoa roeria unha por exemplo? Supondo que esse fosse um hábito dela, como é meu (algumas vezes eu só me toco que roí a unha quando machuco meu dedo hahah), talvez. Mas quão inconsciente é esse ato? Normalmente eu só faço essas coisas se estiver distraído. Será que eu estaria “distraído” se eu estivesse sem emoções, será que eu sequer pensaria em alguma coisa? Além do mais, muitas dessas manias se devem a ansiedade, nervosismo, etc.

Bom, a questão levanta muitas perguntas. Me aprofundar em qualquer uma delas mudaria muito o foco do post, além de que muitas são perguntas às quais talvez nunca tenhamos respostas. Não tenho argumentos conclusivos então deixo a questão em aberto para reflexão.

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